O BARCO COMO DESÍGNIO
flávio motta, produto-maquinário e a modernidade fluvial das américas
DOI:
https://doi.org/10.59804/rdb.2026.v9.1815Palavras-chave:
Flávio Motta, produto-maquinário, navegação interior, modernidade continental, desenho industrialResumo
Este artigo examina a contribuição de Flávio Motta para o Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional de Osaka (1970), cujo plano expográfico reunia um projeto de interligação das bacias hidrográficas Prata-Amazonas e o desenho de um navio para o Rio São Francisco como peças de uma visão de modernidade continental. Esses projetos não eram formulações autorais, pertenciam a uma história concreta e então em curso, a das comissões de planejamento das bacias do Paraná-Uruguai e do São Francisco, que Motta seleciona e articula, à maneira de um curador, no interior de um discurso mais amplo sobre a formação do país. Partindo da noção de produto-maquinário, com que Motta designa o artefato industrial como instrumento de emancipação e de extensão do desenvolvimento ao interior, e da identidade entre desenho e desígnio que estrutura seu pensamento, o texto analisa os manuscritos elaborados para a Expo’70 e os coteja com os escritos do autor e com o contexto do pavilhão projetado pela equipe de Paulo Mendes da Rocha. Argumenta-se que a singularidade da proposta não reside na excepcionalidade do tema territorial, central à modernidade latino-americana, mas na operação curatorial e projetual que o inscreve no campo do desenho industrial e da arquitetura, articulando infraestrutura, cultura e produção. Enquadrada no campo das modernidades entre Américas, a discussão contribui para o reconhecimento de proposições que, embora irrealizadas, revelam dimensões projetuais e territoriais próprias da experiência moderna no continente.
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